Programadores fazem arte, artistas fazem sistemas

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Jornal A Tarde, Salvador

por Daniel Marques

Data de publicação: 06/05/2010

Da esquerda para a direita: Jarbas Jácome, Ricardo Brazileiro, Fernando Krum e Cristiano Figueiró

“O computador é um lápis”, diz Cristiano Figueró, pesquisador de softwares para interação musical. A pretensa simplicidade da análise tenta desmistificar o trabalho de quem usa a máquina para se expressar artisticamente. “O lápis também é uma tecnologia, não é?” provoca.

Isso que Figueró compara a um lápis é uma plataforma múltipla de linguagens, que mistura imagem, som e junto com softwares pode criar obras com pretensões artísticas. Como se o computador tivesse estilo, tal qual um pintor ou músico.

“Se desde os anos 1990, os computadores já conseguiam processar estímulos simultaneamente, por que não aproveitar isso para fazer música, vídeos e arte?”, se pergunta Jarbas Jácome, mestre em programação. Ele também é criador do ViMus, software que processa som e imagem, modificadas em tempo real.

O que Jácome e Figueró fazem é imprimir estilo em qualquer relação entre espectador e computador. É como se eles fizessem um pote e pedissem ao espectador que o quebre. Os programas não podem determinar onde o espectador ira bater o bastão, mas podem definir como o pote irá rachar.

(…)

Mestre em Ciências da Computação, Jarbas Jácome, 28, enveredou para a arte. Partidário dos códigos abertos, ele analisa a produção de arte eletrônica no Brasil, explica o trabalho do artista com softwares e a relação do público com suas obras.

Onde fica a espontaneidade artística quando se trabalha com programação?

Todo artista usa um meio para se expressar. A espontaneidade da expressão dele em um computador vai ser potencializada pelo domínio do código daquele meio, assim como em qualquer outro. Na fotografia, por exemplo, mesmo que você não aprenda a construir sua própria máquina, terá que dominar como captar a luz e um instante de movimento. Quando se usa o computador, a espontaneidade está no próprio ato de programar.

O público vê trabalhos assim como arte ou mero aparato tecnológico?

Há uma supervalorização das tecnologias, todo mundo tem celular, todo mundo já pode ter uma câmera e cada vez mais as pessoas têm acesso a esses processos. Mas claro que ainda há uma espetacularização em torno disso tudo, porque uma coisa é a invenção da guitarra e outra é aparecer um Jimi Hendrix. A geração de meus avós cresceu com a rua e o rádio; a de meus pais com o rádio, a televisão e a rua. Eu cresci com o vídeo-game e a rua. Essa nova geração cresce com o vídeo-game, computador conectado à internet e deve assimilar isso com menos espetacularização e mais naturalidade.

Em que pé está a pesquisa por liguagens artísticas com interfaces eletrônicas?

Eu vejo duas iniciativas mais claras: uma nos centros de artes das universidades e outra ligada ao movimento do pessoal do software livre. Eu tive a sorte de dialogar, nos últimos dois anos, com esses dois universos e me parece que o do software livre tem compreendido melhor a realidade do país, sem copiar e macaquear os europeus e americanos; tentando fazer arte brasileira sem exotismo.

Por que a escolha pelo software livre?

Por que é mais fácil de ensinar e aprender. E também por ser uma nova forma de se comportar nesse mundo capitalista. Eu poderia ter feito o ViMus comercial, com código fechado, se eu tivesse energia suficiente para transformá-lo em um produto de mercado. A licença do ViMus é em GPL (General Public License) e ninguém pode pegá-lo e transformá-lo em um produto. Desse jeito eu ganhei menos dinheiro, mas em compensação conheci mais pessoas(risos).

É possível separar as instâncias estéticas e políticas na escolha por trabalhar com programas de código aberto?

Quando você programa, embute no código sua personalidade, sua ideologia. Ao escolher a ferramenta que vai usar, você reflete desde sua preocupação com o entorno à difusão do substrato de conhecimento.

(…)

Leia aqui a matéria na íntegra:

https://jarbasjacome.files.wordpress.com/2010/06/tecnologia_a_tarde_06_05_2010.pdf

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Da esquerda para a direita: Jarbas Jácome, Ricardo Brazileiro, Fernando Krum e Cristiano Figueiró

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